Grupo tem a participação do presidente da Abrava com meta de produzir estudos e elaborar planos de ação regionais, de forma a contribuir para a resolução do problema
A qualidade do ar interno (QAI) foi o tema central de um dos eventos paralelos promovidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira (23/09), na sede da organização em Nova York. Além da realização da assembleia geral da entidade, a ONU também lançou o Global Pledge for Healthy Indoor Air (Pacto Global pela Qualidade do Ar Interno), com a participação do Brasil.
Como resultado do evento, a QAI passou a integrar o comitê da ONU que vai elaborar propostas e iniciativas sobre o tema, tendo como representante brasileiro, o engenheiro Leonardo Cozac — atual CEO da empresa Conforlab e presidente da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava), entidade cujas experiências foram citadas durante o encontro.
Compromisso internacional
Na prática, o pacto convida governos e organizações a aderirem a um compromisso internacional por ar limpo em ambientes internos. Conta com a participação de instituições globais, como representantes da Organização Mundial da Saúde (OMS), da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da ONU Meio Ambiente, além de presidentes e ministros de diversos países.
Para se ter ideia, participaram do debate sobre a questão e do lançamento do documento cerca de 200 pessoas, entre pesquisadores de instituições como Harvard Healthy Buildings Program, Brown University, ISIAQ, ASHRAE, IWBI e World Heart Federation.
O objetivo é compartilhar experiências, difundir práticas inovadoras e firmar parcerias que acelerem soluções para melhoria da qualidade do ar interno. Foi nesse contexto que Leonardo Cozac foi nomeado representante da comissão.
O grupo reúne pessoas de 30 países, incluindo autoridades de saúde, cientistas de universidades de ponta, além de executivos e líderes de sustentabilidade dos setores de design, construção, tecnologia e indústria.
Ação e planos regionais
A comissão tem como prioridade o desenvolvimento de um Marco Global de Ação, bem como a criação de Planos Nacionais para fortalecer os esforços de qualidade do ar interno em diferentes regiões.
“Assim como aprendemos a cuidar da água que bebemos e dos alimentos que consumimos, chegou o momento de cuidar também do ar que respiramos em ambientes internos. Esse tema é urgente para a saúde pública e para a qualidade de vida das pessoas”, afirmou o presidente da Abrava.
Urgência sanitária e econômica
Atualmente, estima-se que as pessoas passem cerca de 90% do tempo em espaços fechados, motivo pelo qual a qualidade do ar interno ganhou urgência sanitária e econômica em todo o planeta. O ar que se respira nesses ambientes influencia diretamente na saúde, produtividade e bem-estar.
Quando a ventilação é insuficiente e os poluentes se acumulam, aumenta a transmissão de doenças respiratórias e caem o desempenho cognitivo e a eficiência em escolas e locais de trabalho, efeitos medidos e documentados por pesquisas reunidas pela ONU.
A crise climática agrava o quadro, já que queimadas, ondas de calor e eventos extremos elevam a presença de poluentes e forçam mais pessoas a permanecer em ambientes fechados.
“O compromisso lançado pela ONU coloca a saúde de quem vive, estuda e trabalha em ambientes fechados no centro da agenda. Ventilar bem, monitorar e gerir a qualidade do ar são decisões de saúde pública que reduzem doenças e melhoram a vida cotidiana, especialmente num contexto de clima em mudança, em que passamos mais tempo em ambientes fechados”, afirmou Cozac.

