O Diretor de Meio Ambiente da ABRAVA, Thiago Pietrobon, comenta matéria publicada no Blog do Frio.
Para Thiago, “o avanço da logística reversa destacado no artigo reforça um ponto crucial para o nosso setor: o espaço para o crescimento que a Economia Circular ainda pode apresentar no setor AVACR. Com apenas 3% do lixo eletrônico recebendo destinação correta, segundo a Abree, fica evidente a urgência de ampliarmos (e acelerarmos) a cultura de responsabilidade pós-consumo, especialmente no que diz respeito aos equipamentos que contêm fluidos refrigerantes. Além dos materiais tradicionais da reciclagem, como metais e plásticos, o Brasil conta hoje com uma estrutura para reciclar e regenerar os fluidos refrigerantes recolhidos, que já pode ser inserida neste circuito de gerenciamento de ciclo de vida dos produtos. A ABRAVA tem trabalhado para fortalecer essa agenda, promovendo capacitação, boas práticas e articulação institucional, pautando-se nas metas do Protocolo de Montreal e Acordo de Paris”.
Logística reversa avança como resposta à crise do lixo eletrônico
O descarte indiscriminado de geladeiras e outros eletrodomésticos ainda é um dos grandes desafios ambientais no Brasil — e os números ajudam a dimensionar o problema. O país gera cerca de 2,4 milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano, mas apenas 3% desse volume têm destinação correta, de acordo com a Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos (Abree). O restante, muitas vezes, acaba em locais inadequados, ampliando riscos de contaminação e impactos ao meio ambiente.
É justamente para enfrentar esse cenário que atua a entidade, responsável por estruturar a logística reversa desses produtos no país. O processo começa com o consumidor, que precisa encaminhar a geladeira ao fim da vida útil para um dos mais de 7 mil pontos de recebimento credenciados em todas as regiões, incluindo diversas redes varejistas — etapa essencial para reduzir o descarte irregular.
Depois da coleta, empresas homologadas realizam o transporte seguro até unidades de triagem e reciclagem. Nesses locais, o equipamento passa por desmontagem técnica, com a separação de componentes como metais ferrosos e não ferrosos, plásticos, espumas, mantas isolantes, compressores, motores e partes eletrônicas. Esse cuidado permite o reaproveitamento de materiais e evita que resíduos perigosos sejam liberados no ambiente.
Entre os maiores riscos está a liberação de gases refrigerantes, como CFCs, HCFCs e HFCs, presentes nos sistemas de refrigeração. Quando descartados de forma inadequada, esses gases contribuem para a destruição da camada de ozônio e para o aquecimento global. No processo correto de logística reversa, eles são retirados e tratados com segurança.
Após a descontaminação, os materiais seguem para reciclagem e retornam como matéria-prima para a cadeia produtiva, reduzindo a necessidade de extração de novos recursos naturais. Diante de um cenário em que a maior parte do lixo eletrônico ainda tem destino inadequado, fortalecer a logística reversa é mais do que uma solução ambiental — é uma urgência estratégica para o país.
Segundo a Abree, o impacto ambiental desse processo é significativo. Além de evitar o descarte irregular e reduzir emissões de gases de efeito estufa, a cadeia de logística reversa diminui a necessidade de extração de recursos naturais e reduz a pressão sobre aterros sanitários.
“Sem o consumidor, o ciclo da reciclagem simplesmente não se inicia”, afirma o engenheiro ambiental Fernando Rodrigues, gerente de relações institucionais da entidade. “Quando reciclamos uma geladeira, preservamos recursos naturais, reduzimos emissões e fortalecemos a economia circular. É um benefício direto para toda a sociedade”, complementa.
Para mais informações, acesse: www.abree.org.br

