II Fórum de Meio Ambiente ABRAVA reúne setor AVACR para discutir os próximos dez anos da Emenda de Kigali

 

Evento, realizado pela ABRAVA, reuniu representantes da indústria, governo, entidades e empresas para debater transição dos fluidos refrigerantes, qualificação profissional, eficiência energética e responsabilidade ambiental

Os dez anos da Emenda de Kigali foram o ponto de partida para uma ampla discussão sobre os desafios e responsabilidades do setor de climatização, refrigeração, ar-condicionado e ventilação (AVACR) durante o II Fórum de Meio Ambiente ABRAVA, realizado nesta terça-feira, 22 de setembro, na FIESP em São Paulo.

Promovido pelo Departamento Nacional de Meio Ambiente da ABRAVA – Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação e Aquecimento, o encontro reuniu representantes da indústria, empresas, governo, entidades e instituições que atuam na agenda ambiental para discutir os avanços alcançados na última década e, principalmente, os caminhos para os próximos anos.

Realizado em formato híbrido, a segunda edição do Fórum teve como tema central os “10 anos da Emenda de Kigali”, colocando em pauta questões que ultrapassam a substituição dos fluidos refrigerantes e envolvem tecnologia, segurança, qualificação profissional, eficiência energética, recuperação e reciclagem, além dos impactos ambientais associados às atividades da cadeia AVACR.

Na abertura do evento, o presidente executivo da ABRAVA, Paulo Macedo, destacou que o debate ambiental está diretamente relacionado ao futuro da indústria e de toda a cadeia de climatização e refrigeração.

“Para a ABRAVA, discutir meio ambiente não é apenas acompanhar uma agenda internacional. É discutir o futuro da nossa própria indústria e de toda a cadeia de climatização, refrigeração, ar-condicionado e ventilação”, afirmou.

Paulo também ressaltou a importância da participação do setor na construção dos próximos passos dessa agenda e relacionou o debate ambiental aos três grandes pilares que orientam a atuação da nova gestão da ABRAVA: qualidade do ar, descarbonização e segurança dos alimentos. Embora sejam temas distintos, todos estão conectados à indústria, às tecnologias e à atuação dos profissionais do setor.

“Precisamos discutir tecnologia, inovação, qualificação profissional e novas práticas, mas também precisamos fortalecer a capacidade do nosso setor de participar ativamente das decisões que vão definir os próximos anos”, destacou.

 

Dez anos de Kigali: olhar para o futuro

O diretor de Meio Ambiente da ABRAVA, Dr. Thiago Pietrobon, também participou da abertura e reforçou a importância das iniciativas desenvolvidas pela entidade para ampliar a participação do setor na implementação da Emenda de Kigali no Brasil.

Para Thiago, “O momento é festivo e de aprendizagem, olhando para os resultados dos últimos 10 anos em que a proteção da camada de ozônio se uniu à adaptação e mitigação das mudanças climáticas.  Mas, o momento é também de olhar para a próxima década, tendo como objetivo a ampliação da ação contra os eventos climáticos extremos”.

O marco de dez anos da Emenda foi utilizado como oportunidade para ampliar a reflexão sobre os próximos desafios, considerando que a transição dos fluidos refrigerantes envolve diferentes segmentos econômicos e exige participação coordenada de governos, indústria, empresas, profissionais e entidades.

A Emenda de Kigali foi adotada em 2016 no âmbito do Protocolo de Montreal e estabeleceu compromissos para a redução gradual do consumo e da produção de hidrofluorcarbonetos (HFCs), substâncias utilizadas em aplicações de refrigeração e climatização e que apresentam elevado potencial de aquecimento global.

Ao completar uma década, o acordo coloca em evidência uma nova etapa de desafios para a cadeia AVACR, especialmente em relação à adoção de tecnologias, disponibilidade e manejo adequado de refrigerantes, capacitação de profissionais e manutenção da eficiência dos equipamentos.

Transição dos refrigerantes exige conhecimento e qualificação

Um dos temas que ganhou destaque durante o Fórum foi a substituição dos fluidos refrigerantes e seus impactos sobre diferentes segmentos como os supermercadistas e automóveis. As discussões mostraram que a transição não se limita à escolha de um novo fluido. Ela envolve equipamentos, componentes, procedimentos de instalação e manutenção, segurança, recuperação e reciclagem dos refrigerantes e, sobretudo, profissionais preparados para lidar com as novas tecnologias.

Os debates também chamaram atenção para os impactos dessa transformação em setores como o supermercadista e o automotivo, que utilizam sistemas de refrigeração e climatização em diferentes aplicações e enfrentam desafios específicos no processo de adaptação às novas tecnologias.

Nesse contexto, a qualificação da mão de obra foi apontada como um dos pontos fundamentais para que a transição ocorra de maneira adequada. A mudança tecnológica demanda atualização permanente dos profissionais responsáveis pela instalação, operação, manutenção, recolhimento e reciclagem dos fluidos refrigerantes.

A programação reuniu especialistas e representantes de empresas do setor para abordar diferentes aspectos da implementação da Emenda de Kigali. Entre os temas apresentados esteve “Recolher, Reciclar e Preservar”, apresentado por André Oliveira, da Mastercool, destacando a importância das boas práticas relacionadas ao ciclo de vida dos fluidos refrigerantes, em especial no setor automotivo.

Danilo Gualbino, da Solstice, abordou o cenário brasileiro dez anos após a adoção da Emenda, com o tema “Brasil, 10 anos após a implementação da Emenda de Kigali: desafios, oportunidades e propostas”.

A programação também contou com a participação de Rafael Mattos, da Haier, que apresentou a contribuição da empresa ao longo desse período, e de Darcley Touguinho, da Recigases, com a palestra “Fluido Refrigerante: um componente que também precisa de manutenção”.

As apresentações contribuíram para ampliar o debate sobre a responsabilidade compartilhada ao longo da cadeia e sobre a necessidade de incorporar as questões ambientais às decisões técnicas e operacionais do setor.

Eficiência energética também esteve no centro da discussão

Outro ponto presente nos debates foi a relação entre a transição dos refrigerantes e a eficiência energética dos sistemas.

A adoção de alternativas aos HFCs precisa ser analisada de forma integrada, considerando não apenas o impacto ambiental direto dos refrigerantes, mas também o desempenho energético dos equipamentos e sistemas ao longo de sua utilização.

Para o setor AVACR, essa abordagem amplia o debate e reforça a necessidade de avaliar tecnologia, desempenho, manutenção e operação de forma conjunta.

O Fórum mostrou, ainda, que as transformações em curso não são responsabilidade exclusiva de fabricantes ou empresas de refrigeração. A mudança envolve toda a cadeia e depende da participação de profissionais, usuários, empresas, entidades, instituições de ensino e órgãos públicos.

A II edição do Fórum de Meio Ambiente contou com o patrocínio das empresas e de diversas entidades parceiras do setor.

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