A ABRAVA realizou, no dia 30 de outubro, o evento “Desafios e Oportunidades para o Setor AVACR rumo à COP 30”, que discutiu temas relevantes relacionados às metas climáticas globais e à atuação do setor de climatização e refrigeração no contexto da sustentabilidade.

Organizado pela Diretoria e pelo Departamento Nacional de Meio Ambiente da entidade, o encontro aconteceu em formato híbrido, na sede da FIESP, em São Paulo, e contou com a participação de profissionais de diversas regiões do país.

O evento reuniu lideranças empresariais, especialistas e parceiros em um espaço de debate estratégico sobre o futuro do setor AVACR diante da transição energética e das diretrizes globais relacionadas à COP 30.

De acordo com Dr. Thiago Pietrobon, diretor de Meio Ambiente da ABRAVA, que acompanha a agenda brasileira nas COPs e nas reuniões do Protocolo de Montreal, “Este encontro reforça o papel estratégico do setor AVACR na construção de soluções sustentáveis para os desafios climáticos globais. Ao reunir representantes da indústria, varejo, educação e organizações técnicas, conseguimos alinhar ações concretas em torno da eficiência energética, da economia circular e da qualificação profissional. A COP 30 será um marco, e a ABRAVA está comprometida em garantir que o setor de climatização e refrigeração esteja preparado para contribuir efetivamente com metas climáticas ambiciosas, sem abrir mão da inovação e da responsabilidade ambiental”.

A programação contou com três palestras e um painel técnico voltados à troca de experiências e à promoção de debates direcionados a temas essenciais para os setores representados. Participaram representantes da Clasp, Senai-SP, Carrefour e Rede Atacadão, que, em conjunto com membros da ABRAVA, compartilharam informações sobre ações em andamento com impacto direto no setor AVACR.

Entre os temas abordados estiveram resfriamento sustentável, economia circular, eficiência energética, inovação tecnológica e o papel estratégico do setor diante dos desafios climáticos globais.

A abertura foi conduzida pelo Eng. Leonardo Cozac, presidente do Conselho Administrativo da ABRAVA, que destacou a importância da disseminação de conteúdo técnico, “A COP 30 é um tema muito importante para o nosso setor. Há meses estamos trabalhando esse assunto. O debate que aconteceu na mesa-redonda do CONBRAVA, assim como este evento, faz parte dessa agenda pré-COP — um tema relevante para o setor que temos apoiado. A nova gestão traz como eixos estratégicos a descarbonização, a segurança alimentar e a qualidade do ar, pilares que impactam diretamente a sociedade. Estamos empenhados em construir uma agenda que permita aos setores contribuírem efetivamente com as discussões da COP 30.”

O ciclo de palestras foi aberto por Thiago Pietrobon, também CEO da Ecosuporte, com o tema “Refrigerar e climatizar sem aquecer o planeta: metas, oportunidades e desafios para o Brasil”. Ele apresentou um panorama das ações voltadas às questões climáticas e destacou o papel ativo da ABRAVA nas discussões sobre eficiência energética, qualidade do ar de interiores e regulamentações do setor.

Pietrobon ressaltou a importância do Global Cooling Pledge (Compromisso Global de Resfriamento) como guia para o futuro da climatização e refrigeração, além de mencionar o Acordo de Paris, o Protocolo de Montreal e os desafios do setor AVACR, apresentando pontos do Plano Nacional de Resfriamento até 2026 e estratégias para o avanço do segmento.

A segunda palestra foi ministrada por Filipe Colaço, presidente do DN Meio Ambiente da ABRAVA e diretor da Recigases, com o tema “Economia Circular no Setor HVAC na Prática”. Ele apresentou o case “Desafio de Duas Centrais de Regeneração e Armazenamento”, destacando cinco pontos essenciais para as empresas do setor: gás, logística, documentação, regeneração e comercialização.

Encerrando o ciclo de palestras, André Oliveira, presidente do DN Ar-Condicionado Automotivo e diretor da Mastercool, abordou o tema “Reciclagem de Fluidos Refrigerantes — Meio Ambiente x Economia”, enfatizando os benefícios de recuperar, reciclar, reutilizar e economizar, aliados à preservação ambiental.

O evento foi concluído com um painel técnico, que proporcionou um importante espaço de articulação e alinhamento sobre os avanços do setor rumo à COP 30.
O debate, conduzido por Thiago Pietrobon e Filipe Colaço, contou com a participação de Edilaine Camillo (gerente da CLASP Brasil), Carlos Augusto Monteiro de Barros (diretor de Expansão do Atacadão – Grupo Carrefour) e Eduardo Macedo (diretor da Escola SENAI Oscar Rodrigues Alves).

Edilaine Camillo destacou a atuação da CLASP — organização sem fins lucrativos sediada em Washington que fomenta políticas públicas de eficiência energética em mais de 90 países. Explicou que, no Brasil, a entidade oferece suporte técnico ao Procel na implantação do Selo de Eficiência Energética, em parceria com o Inmetro, ABDI e outros órgãos.

Segundo ela, o setor de refrigeração e climatização é transversal, impactando diretamente a vida das pessoas. Com o avanço das mudanças climáticas, o uso do ar-condicionado tende a deixar de ser opcional, tornando essencial o fortalecimento de toda a cadeia produtiva. Em suas considerações, anunciou, ainda, a abertura do escritório da CLASP no Brasil, que oferecerá suporte técnico às demandas necessárias para a adequação do setor ao novo cenário climático.

Na sequência, Carlos Barros, do Grupo Carrefour, compartilhou dados sobre a operação do grupo — o maior varejista de alimentos do Brasil, com mais de mil lojas distribuídas em todos os estados. Ele destacou que a sustentabilidade é um dos principais pilares da companhia, que o grupo metas altas para a redução de emissões de gases de efeito estufa até 2030. O grupo anunciou um também que o Grupo irá fazer altos investimentos nos próximos cinco anos, voltado à redução das emissões e à busca pela eficiência energética.

Carlos comentou que chegou ao evento com a convicção de que o investimento em novos sistemas de refrigeração era o único caminho possível para atingir essas metas. No entanto, após os debates e apresentações, passou a considerar as soluções de gerenciamento do ciclo de vida dos fluidos refrigerantes — como a regeneração e a redução de vazamentos — como alternativas economicamente mais vantajosas. Segundo ele, essas estratégias podem prolongar a vida útil dos equipamentos existentes, permitindo que a substituição ocorra no momento mais adequado para cada loja, sem comprometer os objetivos ambientais da empresa.

Por fim, Eduardo Macedo, do SENAI, abordou a qualificação da mão de obra como fator essencial para o desenvolvimento do setor de climatização e refrigeração. Ele ressaltou as parcerias do SENAI com instituições como a GIZ e empresas privadas, lembrando que a estrutura da escola utiliza recursos próprios. De acordo com o mapa de emprego da instituição, 80% dos profissionais qualificados atendem à demanda do Estado de São Paulo, enquanto os 20% restantes estão distribuídos em outros estados brasileiros.

O evento contou com o apoio de diversas entidades parceiras da ABRAVA, além do patrocínio das empresas: Ecosuporte, Mastercool e Recigases. Para quem não pôde acompanhar ao vivo, a íntegra do evento estará em breve disponível no canal oficial da ABRAVA no YouTube

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