Ondas de calor: o que mudou na hora de pensar em climatização 🥵

Somente na última década, o mundo quebrou quatro vezes o recorde dos anos mais quentes já registrados da história. 2024 liderou o ranking, seguido dos anos de 2023 e 2025, de acordo com dados do observatório europeu Copernicus.

A frequência maior de ondas de calor acelerou o crescimento do mercado de climatização e refrigeração, especialmente no Brasil, e desafiou a indústria a redesenhar suas tecnologias para um clima extremo.

No ar-condicionado, a combinação de desempenho e eficiência energética precisou passar por uma revisão de engenharia para ter maior confiabilidade, segundo João Manuel Aureliano, conselheiro da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava). Compressores de maior precisão e uma nova geometria de trocadores de calor são alguns exemplos dessa adaptação.

“A variação da temperatura externa ao longo do dia e do ano acelerou a adoção da tecnologia inverter, cujos compressores e motor do ventilador são adotados de inversor de frequência que ajustam a demanda elétrica e a demanda térmica. Consequentemente, todo esse movimento proporcionou uma significativa redução na conta de energia elétrica”, explica.

 

 

 

 

 

Apesar dessa tecnologia mais recente, o modelo mais tradicional é o que ainda domina o mercado brasileiro. O ar-condicionado split, que tem a separação completa do condensador (externo) e do evaporador (interno), passou de uma produção de 3.816 milhões de aparelhos em 2023 para 6.385 milhões em 2025, segundo dados da Abrava.

Durante a COP-30, o relatório “Global Cooling Watch 2025” do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente mostrou que essa demanda pode triplicar até 2050.

Mesmo sendo o segundo maior produtor de ar-condicionado no mundo, o Brasil possui apenas cerca de 20% das residências equipadas com o aparelho, e ainda tem “um enorme potencial de crescimento”, afirma o especialista.

Aparelhos cada vez mais automatizados e acessíveis ❄️🤖

Em termos de tecnologia, as novas gerações de climatização já oferecem opções mais silenciosas e otimizadas para facilitar a instalação e economizar energia. A automatização com inteligência artificial é o mais novo recurso trabalhado nos aparelhos. Segundo João Aureliano, sensores inteligentes conseguem identificar a variação de temperatura, a qualidade do ar e os padrões de uso do usuário, interagindo com a casa conectada.

“É central possibilitar a integração com sistemas residenciais e prediais, redes elétricas inteligentes e estratégias de resposta à demanda. É um equipamento que deixou de ser passivo e atua de forma dinâmica dentro do sistema energético”, pontua.

Com isso, o especialista explica que a “fama” do ar-condicionado ser vilão da conta de luz tem sido menos atrelada aos aparelhos, que evoluíram bastante nos últimos anos. “Um equipamento eficiente, [porém] mal dimensionado ou instalado em um ambiente com arquitetura ineficiente, ele continuará consumindo muito”, afirma.

Para além da eficiência e tecnologia, o especialista destaca que o ar-condicionado deixou de ser um item com status de luxo e passou a ter valor como item de melhor qualidade de vida, associado à produtividade e à saúde.

➡️ No Podcsat Canaltech, você confere dicas de como otimizar a utilização do ar-condicionado, quais os erros mais comuns e o que esperar das próximas gerações de climatização.

No novo episódio do Podcast Canaltech, a repórter Elisa Fontes conversa com João Aureliano, conselheiro da ABRAVA e especialista em engenharia de climatização, para entender como a tecnologia dos aparelhos evoluiu, por que o mercado está crescendo tanto e o que realmente faz diferença na hora de economizar na conta de luz.

O Podcast destacou temas como ar-condicionado inverter, sensores inteligentes, automação, erros comuns no uso, impactos no consumo de energia e o que esperar da próxima geração de eletrodomésticos.

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