ABRAVA repercute o setor no DCI – entrevista com Arnaldo Basile

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A refrigeração de grande porte, destinada a empreendimentos comerciais como shopping centers e lajes corporativas, pode continuar sofrendo as consequências da crise econômica, que reduziu sua produção e ainda impacta os investimentos na área.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava), Arnaldo Basile Jr., o segmento foi alavancado pelo “boom” do mercado da construção civil, que seguiu até meados desta década. “No que diz respeito ao segmento de ar condicionado central, usado para empreendimentos de maior porte, infelizmente ainda não houve recuperação em 2017, apenas estabilização. A retomada esperada para o ano passado poderá ficar para 2018”, diz.

O dirigente, que participa essa semana da Feira AHR Expo Chicago 2018, nos EUA, principal evento global do setor, ressalta que a retomada do mercado vai depender do próprio ritmo de crescimento da economia, o que poderia puxar novamente os investimentos, principalmente os da construção civil.

“Historicamente, nosso setor sempre cresceu no mínimo o dobro ou o triplo daquilo que cresce o PIB da economia brasileira. Então, em 2018 deverá ocorrer um avanço do faturamento do setor como um todo”, afirma.

De acordo com ele, com a confirmação da recuperação, a área de grande porte – que contempla ar-condicionados centrais, chillers (máquinas frigoríficas) e VRF/VRV (evaporadores múltiplos) – poderia atingir, num cenário otimista, um aumento entre 5% e 6% das Toneladas de Refrigeração (TR), que é a medida utilizada pelo setor para mensurar o ritmo de crescimento, já que um número menor de unidades comercializadas poderia ser compensada pela maior capacidade de refrigeração. Conforme a associação, esse segmento apresentou alta de 230 mil toneladas de TR em 2017, resultado semelhante a 2016.

A dificuldade de retomada deste segmento se dá pelo longo processo de maturação dos investimentos, entre a decisão de construção, execução da obra e sua finalização, com a consequente aquisição dos equipamentos de refrigeração, teoricamente um dos últimos componentes de uma obra.

No ramo de refrigeração para supermercados, indústrias frias – como fabricantes de alimentos – e lojas de conveniência, houve um impacto menor da crise, em razão da necessidade das empresas em manter as máquinas sempre em funcionamento. “Os mercados de refrigeração sofreram menos do que os de ar-condicionado, já que não há muito espaço para segurar a troca”, explica. Segundo ele, uma retomada do consumo de bens não duráveis – como alimentos e bebidas – poderá garantir uma alta da TR de cerca de 5% este ano. Entre as razões para a aquisição de novos equipamentos está a busca por aparelhos que, em alguns casos, chegam a consumir 40% menos energia.

ResidencialPor outro lado, o segmento residencial já iniciou sua retomada a partir do ano passado, quando a expansão, em termos de TR, chegou a aproximadamente 7%. Para este ano, a alta poderia alcançar 10%. Apenas no ramo de ar-condicionados do tipo split, a variação poderá ser mais considerável, entre 10% e 12%. De forma consolidada, o incremento poderia variar positivamente entre 7% e 8% este ano.

Estes números refletem uma grande reversão da produção, considerando os segmentos residencial e refrigeração central, que recuou 60% nos anos de 2015 e 2016, após o pico de expansão de 6,5 milhões de TR comercializadas em 2014.

ExportaçãoNo Brasil, a maior parte das indústrias de ar-condicionado instaladas no Brasil é estrangeira, mas existe uma gama de empresas nacionais que estão exportando, principalmente para países da América Latina, como Argentina e México. “Pequenas empresas estão vendendo componentes, como sistemas de filtragem, eletrônicos e de ar”, diz Basile, sobre as 12 empresas que estão na Expo Chicago, numa missão promovida pela Apex-Brasil e Abrava.

por RODRIGO PETRY  
 
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